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Comecei a trabalhar no segundo ano da faculdade e, desde então, não parei mais. Engravidei da Mabi e, por sorte, foi na mesma época que a empresa para a qual eu trabalhava, e ainda trabalho, estava trocando o sistema de contratação dos funcionários. De registrados iríamos para autônomos, e com isso surgiu a possibilidade de alguns empregados fazerem home office, caso suas funções possibilitassem tal feito.

Eu, como editora de conteúdo de um site, posso trabalhar de qualquer lugar do mundo. Ou seja: era a candidata perfeita pra trabalhar de casa. Pois assim foi. Passado o período de minha licença-maternidade, voltei a trabalhar, mas em casa, com minha bebê, sob o conforto do meu lar doce lar.

Pra mim foi um sonho. Tive o privilégio de estar ao lado da minha Pequetuxi durante seu primeiro ano de vida. Ainda que ela ficasse mais sob os cuidados de Dona Vilma, a funcionária de casa, o fato de eu estar ali mudava tudo, claro. Eu não deixei de participar de nenhum momento dessa fase, que é uma das mais importantes na vida de um bebê, dizem os especialistas. E sou muito, muito grata por isso.

O esquema funcionou bastante bem por vários meses. Mas aí dona Mabi fez um ano e pouco a pouco foi deixando de ser aquele bebezinho-come-e-dorme. Se antes ela fazia duas sonecas diárias de 1h30 cada, hoje dorme uma vez só, depois do almoço. E posso dizer que sua versão acordada é, definitivamente, bastante intensa. Se mamãe ou papai estão por perto, ela quer companhia, claro. Até fica quietinha assistindo à Galinha Pintadinha, mas é uma calmaria que dura pouco.

Meu rendimento, adivinhem?, começou a cair. E meu nível de estresse começou a aumentar. Passava dias enfurnada dentro de casa, tentando entreter a Mabi de alguma forma pra conseguir trabalhar o pouco que fosse. Quando saia de casa, era no fim da tarde pra procurar “au-au” pela rua e comprar coisinhas na padaria. Estava cansada dessa rotina, e esse cansaço começou a ter seus reflexos.

Qualquer chorinho da Mabi era suficiente pra me tirar do sério. E fiquei triste e envergonhada quando cheguei à conclusão que eu passava o dia esperando chegar o momento de colocá-la na cama. É normal isso? Um dia aqui, outro ali, até é. Mas todo dia, não. Não tem como isso ser saudável, pensava eu. E eu não podia continuar assim.

Foi então que eu decidi voltar a trabalhar no escritório. Aproveitei que a empresa abriu uma filial mais ou menos perto de casa e não demorei em me instalar por lá. Ter uma pessoa de confiança em casa, a Dona Vilma, influenciou na decisão. Embora ela não esteja há muito tempo conosco, o sorriso da Mabi ao vê-la todas as manhãs elimina qualquer dúvida que eu e Javi podíamos vir a ter. Íamos colocá-la na escolinha, mas resolvemos esperar mais uns meses… Fizemos o teste deixando-a em casa e até agora está dando certo.

Estou há quase um mês trabalhando fora. E feliz da vida, se vocês querem saber. Voltei a render mais e fazer meu trabalho como sempre fiz: de forma bem feita, modéstia à parte. Vejo gente na rua, almoço com minha amiga do trabalho, passeio um pouco na hora do almoço… Sentia falta disso tudo. Chego em casa com saudade da Mabi e cheia de paciência para estar com ela até sua hora de dormir. Um pouco mais cansada para estar com meu marido no fim do dia, isso sim, mas compensamos nos dias que minha mãe, a super vovó, entra em ação e fica com a Mabi pra gente poder se aproveitar.

A conclusão da história é que, apesar de termos diminuido a quantidade de tempo que eu e Mabi passamos juntas, a qualidade melhorou. Quando chego em casa, eu realmente estou com ela – e não simplesmente estou ao lado dela. Deixar de lado essa minha “versão mãe” por algumas horas no dia me fez muito bem. E acho que também pode ser bom pra ela ver que a mamãe foi trabalhar, mas volta todo dia cheia de carinho pra dar.

Enfim, queridas leitoras, espero que minha história sirva de alento para aquelas que terão de voltar a trabalhar depois da licença-maternidade. Dói o coração deixar nossos bebês em casa, principalmente quando são muito pequeninhos, mas tudo tem seus dois lados. Pra mulher é bom retomar a vida profissional de antes, sair, ver gente e conversar sobre outros assuntos que não sejam fralda, mamadeira, amamentação, sonecas e afins. Rs.

Com carinho,
Sofia