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Tenho fé de que um dia algum filósofo ou estudioso ainda vai parar pra analisar o tipo de comportamento que a presença de uma grávida produz nas pessoas ao redor: um comportamento intrometido, nada delicado e por vezes desrespeituoso. Será que é só comigo? Será que é a exposição extrema da barriga que faz o indivíduo achar que outras partes da grávida podem ser escancaradas também? Não sei se é isso ou se é porque eu tenho cara de boazinha, de tonta ou de quem está constantemente esperando uma opinião alheia. Só sei que, minhas filhas, eu já ouvi cada barbaridade que vou te dizer… De estranho na rua, de colegas no trabalho e até de gente próxima que eu sei que quer o meu bem. Vai entender, né?
Sendo assim, eu resolvi fazer uma cartilha de boas maneiras para com as grávidas. Oito coisas que NUNCA, JAMAIS devem ser ditas a uma grávida. Não importa o grau de curiosidade ou de proximidade, determinadas perguntas e alguns comentários não se fazem. Simples assim.
“Mas foi planejado?”
Se a pessoa fosse próxima de você e você estivesse planejando engravidar, ela saberia. Se não sabe, restam duas alternativas: foi planejado e você não contou porque ela não é tão amiga assim (e, portanto, não lhe diz respeito) OU não, não foi planejado. Foi um acidente, aconteceu. Era isso que ela queria ouvir? É o tipo de resposta chata de se dar e chata de se ouvir. Por que perguntar, né?
“Nossa, que que eu te falo… Parabéns, né?”
A minha primeira gravidez pegou todo mundo de surpresa. Eu não era casada, namorava há menos de um ano e em duas semanas me mudaria de país. Foi mesmo um susto pra todo mundo. Não carrego mágoa daquelas pessoas que não sabiam como reagir à notícia e acabaram fazendo da maneira errada, soltando pérolas piores que essa do subtítulo. Em contrapartida, lembro com uma enorme gratidão daquelas poucas pessoas que receberam a notícia com carinho. E me tranquilizaram com um abraço demorado e me lembraram que um bebê é uma benção e que tudo ia ficar bem. Ficou o aprendizado: não importa se a gravidez foi planejada ou um acidente de percurso. Não importa se a grávida está desesperada e ainda vê a gravidez como o fim dos tempos. Uma hora ou outra o susto passa, as coisas se encaixam e ela vai conseguir ver o lado feliz. A notícia de uma gravidez deve ser recebida com carinho e com alegria. E com um sorriso e com um abraço, mesmo diante de um choro desesperado. E ponto.
“Outro? Tão rápido assim!”
A última brincadeirinha que eu tive que ouvir por ter engravidado do segundo “tão rápido” foi do tio que vende milho na rua de casa. Ele olhou minha barriga, que já está bem aparente, e soltou: “Ô loco! Outro?”. Eu: “É, agora um menino!”. “Nossa Senhora! Esse espanhol não perde tempo, hein?”, referindo-se a meu amado marido de origem espanhola. Não que eu dê tanta bola pra esse tipo de comentário intrometido, mas, oi? Alguém tem alguma coisa a ver com isso? Posso continuar com meu projeto de expansão familiar em paz? Que diferença faz para os outros se eu espero seis meses, um ano ou dez anos pra engravidar outra vez?
“Novinha desse jeito e já está grávida?”
Tudo bem, não sou nenhuma tartaruga com cem anos de vida no casco, mas tampouco sou uma infanto-juvenil, oras. Tenho 26 anos muito bem-vividos, obrigada. Estou contente com minhas experiências acumuladas e ciente do caminho de aprendizado que ainda tenho pela frente. Não acho que sou particularmente tão novinha assim. E se os outros acham, podiam ficar quietos, né? Eu nem perguntei.
“Agora sim você está com cara de grávida!”
Foi o que eu ouvi de uma colega de trabalho na primeira gravidez, seguido da fatídica frase: “TÁ COM A CARA INCHADA!”. Ai, doeu. E sabem por que doeu tanto? Por que eu não tinha percebido, ainda, que meu rosto estava inchado. Eu me olhava no espelho e via a Sofia de sempre. Mas o fato é que grávida incha. No rosto, no nariz, na bochecha, na boca, nas pernas, nos pés e na mão. Precisa ficar lembrando a coitada disso?
Dorme agora, porque depois…
Vou falar porque esse comentário me irrita: porque a gravidez é um período em que você excepcionalmente dorme mal. Dorme muito mal. Faz xixi a noite inteira, não encontra posição confortável, não consegue dormir de bruços, tem dificuldade pra virar na cama. Pra que lembrar que depois que o bebê nasce, o quesito “sono” só vai piorar? Pra quê? Pra quê?
“Mas a barriga está muito grande pra tão poucos meses, não tá não?”
“É, pois é, é que eu estou comendo feito uma vaca “. Que outra resposta caberia tão perfeitamente a esta delicada pergunta?
“Olha o pezinho dela, parece um pão!”
Eu não sei vocês, companheiras grávidas, mas uma das coisas que mais consegue interferir na minha autoestima é o inchaço nos pés. Ah, que mal me faz ver meus pés versão elefantinho. E AH, que impertinentes as pessoas que insistem em falar nisso, como se a gente não tivesse percebido ainda este pequeno detalhe… AFE! Afe, afe. Mil vezes afe.
Alguém lembra de outras pérolas? Compartilhem! Quem sabe assim conseguimos deixar o planeta mais gentil para com a gente ;)
Beijos, Sofia.




























