Para minha mãe, com amor

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Que boa é a vida quando nos dá a chance de consertar erros e reparar danos, quando nos dá tempo suficiente para entender algumas coisas, esquecer outras e perdoar o que ficou pra trás. Que sorte ter você do nosso lado, mama, e saber que seu amor nunca vai embora. Que sorte tem meus filhos por conhecerem o amor incondicional da vovó mais maluca (e desregrada, e que tem a bolsa cheia de chocolate e que menospreza os benefícios das frutas e dos legumes na alimentação, mas tudo bem…) e adorável do mundo.

Obrigada por me aguentar. Acho que só uma filha um pouco chata às vezes, mas meu amor por você é infinito.

Com carinho,

Sofia

Atitudes simples para evitar um colapso nervoso

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Ultimamente tenho tido alguns ataques de nervos por aqui. Nada anormal, coisa que qualquer mãe de dois é capaz de compreender perfeitamente. Algumas vezes, consigo tomar controle da situação, disciplinar rigorosamente meus filhos e instaurar a paz sem demoras. Me sinto uma rainha. Em outras, mais pareço uma bruxa louca aos berros com duas crianças em prantos. Pra quem olha de fora, a cena deve ser meio desagradável.

Percebi que alguns pensamentos me ajudam a conectar-me novamente com minha paz interior e não deixar-me possuir pela raiva passageira, porém devastadora, que surge diante de algumas situações maternais. Divido essas reflexões com vocês, queridas leitoras. Porque quem tem dois filhos provavelmente passa pelos mesmos perrengues que eu. Não que eu esteja desejando perrengue pra ninguém, mas c’est la vie.

Eles vão crescer. Eles vão crescer. Eles vão crescer.

Vai passar, vai passar, não vai ser sempre assim. É só uma fase. Onnnnnnn….repita comigo. Meu mantra quase diário. Não que eu não goste de criança. Eu curto muito meus filhos pequenos e provavelmente vou sentir falta da versão birrenta e brincalhonas deles. Mas MEU DEUS como eu vou adorar ir a um restaurante sem ter que ficar levantando da mesa a cada cinco minutos pra resgatar o Alfonsinho que, entre outras coisas, está dando colheradas na cabeça do garotinho da mesa do lado.

Diante de um ataque eminente (seu), pense em outra coisa. Rápido.

E finja que você não está nem um pouco se importando com os berros de seus filhos. Quando eu vejo que eu realmente estou quase explodindo (e nessas ocasiões, se o marido está por perto, sobra pra ele), tento iniciar uma conversa paralela com qualquer pessoa que esteja ao meu lado. Qualquer coisa que não seja sobre o universo infantil. Nem sempre é fácil, porque a pessoa em questão te olha como se você fosse meio doida em querer bater um papo tranquilo em meio à guerra, mas ajuda a desanuviar a mente e tirar o foco da sua raiva diante daquela situação.

Saia de casa.

O que não é fácil, porque o “sair de casa” em si já é um estresse: pega a bolsa, leva fralda, poe sapato, enche a mamadeira de água, troca a fralda de um que acabou de se sujar, limpa a outra que resolveu fazer xixi no penico e derrubou tudo no chão e por aí vai, né? Se a situação está feia, essa saída vai ser ainda mais caótica. Mas quando você consegue entrar no bendito elevador, sair pela porta e ver o dia lá fora, as coisas melhoram muito. Se as crianças não param de chorar na hora, o fará em breve. Funciona, vai por mim.

Todo mundo pro banho.

Essa dica é antiga, e funciona principalmente de fim de semana, quando a gente acaba ficando mais tempo em casa e as crianças começam a ficar entediadas. Se não der pra sair pra passear naquele momento, coloca os dois no banho. E se você quiser aproveitar a deixa, entra junto também e já fica limpinha ;)

Dá um chocolatinho aí pra eles e não conta pra ninguém

Sinto muito pra quem é da turma dos politicamente corretos que só dão chocolate uma ou nenhuma vez ao ano. Eu juro que tento ser, e de dias de semana a alimentação em casa é quase exemplar. Quase, porque no fim da tarde chega a tia Duda com balinhas na bolsa pra bagunçar o pagode. Mas se seus filhos estiverem MUITO atacados, e você MUITO de saco cheio, e você vê que realmente não está aguentando mais, está chegando no seu limite, vai começar a chorar, vai ligar o carro pra fugir ou coisa assim… tenta abrir um chocolatinho antes, amiga. Ninguém vai morrer, é só de vez em quando ;) E não me venha com bolachas integrais com gotas de chocolate orgânico. É CHOCOLATE mesmo, M&Ms, Kit Kat… essas tranqueiras.

Beijo! Espero ter ajudado. Hihi.

Sofia

Sete perguntas sobre Métodos Contraceptivos durante a amamentação

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Você provavelmente já ouviu falar que quem amamenta não engravida. Ahãm. E também deve conhecer alguma amiga da tia da prima que engravidou do segundo filho tão logo saiu da quarentena do primeiro. Conclusão: a amamentação traz uma lista gigante de benefícios pra mulher e para o bebê, mas a capacidade dela de brecar o próximo herdeiro não é lá das melhores, rs. Convidamos o especialista Achilles Machado Cruz, ginecologista, para falar sobre o assunto. E aproveitamos pra tirar algumas dúvidas sobre amamentação e métodos contraceptivos.

1.) Amamento meu filho exclusivamente. É verdade que não tenho chances de engravidar?

Algumas mulheres podem voltar a ovular mesmo no período da amamentação quando o ciclo menstrual está bloqueado devido à supressão dos hormônios. Por isso, amamentar não pode ser considerado um método anticoncepcional, mas, se aliado à pílula com progestagênio, hormônio que inibe a ovulação, é possível reduzir significativamente as chances de uma segunda gravidez durante o período de amamentação. Principalmente se o uso da pílula for regrado. Ou seja, não deixar de tomar conforme a orientação do seu médico de confiança. Além disso, a partir da sexta semana e até o sexto mês após o parto, as únicas pílulas indicadas para as mulheres que amamentam são as de progestagênio, hormônio que inibe a ovulação, como comentei acima. Livre de estrogênio, este princípio ativo não interfere no volume do leite, não havendo interferência na alimentação do bebê.

2.) Se eu tomar um anticoncepcional durante a amamentação, os hormônios podem passar para meu filho através do leite materno?

Em princípio, toda substância ingerida pela mãe pode passar para o leite materno. No entanto, a quantidade dos hormônios contidos no anticoncepcional é mínima e não prejudica a saúde do bebê.

3.) Todas as pílulas anticoncepcionais são iguais?

Não. Existem as pílulas combinadas que contêm dois tipos de hormônio na sua composição (estrogênio e progestagênio) e as pílulas só de progestagênio. Estas são desenvolvidas especialmente para serem tomadas durante o período de amamentação pois são livres de estrogênio, princípio ativo que não interfere na qualidade ou no volume do leite, não havendo interferência na alimentação do bebê.

4.) Posso tomar qualquer pílula enquanto estou amamentando?

A partir da sexta semana e até o sexto mês após o parto, as únicas pílulas indicadas para as mulheres que amamentam são as de progestagênio, hormônio que inibe a ovulação.

5.) Quanto tempo é recomendável esperar até ter o segundo filho?

Com cerca de um ano após o parto, o organismo da mulher já se recuperou e ela estará apta para uma nova gravidez. No entanto, é importante lembrar que quando a mulher quiser uma nova gravidez, ela não deve mais amamentar para evitar a sobrecarga no seu organismo.

6.) A pílula me traz muitos efeitos colaterais negativos. Fico nervosa, engordo… existe uma maneira de evitar isso?

Toda pílula anticoncepcional pode determinar efeitos colaterais, entretanto, a incidência de efeitos colaterais em usuárias da pílula anticoncepcional de progestagênio inibe a ovulação. Por isso, ela é a melhor opção contraceptiva e já pode ser tomada a partir da sexta semana após o parto. Além de serem simples e fáceis de tomar, esse tipo de pílula de uso contínuo foi desenvolvida exclusivamente para as mamães que amamentam, sendo muito segura e eficaz.

7.) Uma alimentação saudável durante a amamentação é essencial. Mas existe alguma lista de alimentos que são comprovadamente eficazes para o aumento da produção de leite?

O maior estímulo para a produção de leite é a própria sucção do bebê. Além disso, a alimentação saudável e balanceada e a ingestão de bastante água, matéria-prima essencial a esse processo, são fundamentais para uma boa produção do leite materno.

 

* Foto: GreenTree Photography

Dica de comprinha: acessórios para bebês que são um luxo

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Eu não sei o que o povo tanto critica a internet e a revolução das relações sociais humanas pós Facebook, instagram e Whatsapp. Quer dizer, eu entendo sim todas as críticas e também levanto a bandeira de que bom mesmo é conversar pessoalmente, cara a cara. Dar atenção meeeesmo pra alguém é ligar e marcar um café, uma visita, um almoço, e não enviar um whatsapp com um coraçãozinho. Mas nem tudo é tão ruim, né? A internet já me proporcionou vários reencontros legais. Hoje mesmo aconteceu um deles.

A Paula Ramadan é uma amiga de infância de minha irmã Duda. E amiga da família também, há anos. Era dessas que estavam sempre em casa. Aí o tempo passa, cada um toma um rumo diferente na vida, e a gente vai se distanciando… Muda de cidade, muda de telefone… não encontra mais. Eis que hoje nosso reencontro aconteceu pelo Whatsapp! Olha só. Ela descobriu a existência de minha (super, hiper, mega) lojinha de posters Alf&mabi e veio me falar que adorou e que queria divulgar meu trabalho. Ela, por sua vez, tem uma lojonaaaa de acessórios que se chama Amis Acessórios, com quase 200 mil seguidores no Instagram – o que significa que após a divulgação no instagram dela, ALF&mabi será praticamente uma estrela de cinema, rs.

O que eu podia fazer pra retribuir a amizade? Nada, amizade se retribui com amizade, oras. É ou não é? Mas quis mesmo assim mostrar pra vocês algumas coisinhas da linha Baby da Amis Acessórios que são FOFAS DEMAIS!




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A Paula trabalha muito com pérolas e pedrarias (desde pequena ela era habilidosa com essas coisas) e com muita criatividade começou a desenvolver para os pequenos sapatinhos, acessórios de cabelo, de roupa, chinelo, cabides, porta-maternidade… tem um montão de coisa legal, principalmente no instagram @paularamadanreis

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Além da loja virtual, eles também vendem pelo Whatsapp (já que a gente começou a conversa falando que hoje em dia tudo é assim, né?). Quem se interessar, seguem todas as informações da Paula aqui embaixo.

Beijo e até a próxima, que eu vou contar como consegui tirar a chupeta da Mabi. VIVA! We ARE FREE DE CHUPETA!

Sofia

AMIS ACESSÓRIOS – linha Baby
***** www.amisacessorios.com.br
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***** Whatsapp: (17) 98168-9600
Envio para todo Brasil :)

 

 

 

 

 

 

Ideias de decoração do quarto de criança com poster

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Resolução de ano novo: escrever mais neste digníssimo blog no ano de 2015, porque o ano passado foi uma grande vergonha. Tudo bem, sempre é tempo de recomeçar, retomar e reviver. :D

Um rápido update dos últimos acontecimentos de minha vida: Mabi falando mais que o homem da cobra, Alfonsinho Taleban se alistou para o grupo extremista dos bebês da pá virada que tocam o terror, e eu, neste exato momento em estado anestesiado por conta das férias escolares que nunca têm fim, continuo firme e forte com a ALF&mabi, minha pequena grande empresa de posters exclusivos!

Quanto mais eu faço minhas pesquisas de tendência de decoração para quarto de criança, mais percebo que nós brasileiros ainda estamos bem distantes do estilo que está predominando em países como Estados Unidos, Austrália, Canadá e a grande maioria dos países europeus. Ok, o Vintage francês é legal, o provençal romântico também, mas e quem quer fugir disso? Quem quer um quarto de bebê mais clean, mais moderno e sem um toque tão infantil, acaba penando. Eu tive bastante dificuldade.

Por essas e por outras, com meus posters maravilhosos tenho tentado reproduzir o que vejo por aí, em minhas andanças internacionais pelo Instagram e Pinterest, e que raramente vejo por aqui para comprar.

Coloco então para vocês, ilustres leitoras, algumas ideias de decoração para quarto de criança com posters. Todos eles são da (????) ALF&mabi, claro. :D (Longe de mim puxar sardinha para minha própria empresa, mas alguém aqui já viu coisa mais linda do que esses posters?! Claro que não. Então pronto. ;)

Beijo s e um feliz 2015 para todas nós!

Sofia


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Quando a Bibi, minha irmã menor, era pequeninha, costumávamos falar pra ela que a amávamos daqui até a lua. Falo isso também pra Mabi e pro Alfonsinho, que eu amo os dois daqui até a lua, vai e volta, vai e volta, um milhão de vezes. Por isso, o pôster Lua que fiz pra ALF&mabi tem um significado especial pra mim, porque remete à minha história.

 

 

 

 

 

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Vi um poster parecido em uma foto do Instagram e resolvi tentar fazer algo semelhante. E assim surgiu o Poster Marildinha, essa coisa fofa aí da foto, que eu particularmente sou apaixonada. A aquarela original está na molduraria e logo logo vai ser um dos destaques do quarto da Mabi! <3.
P.s: O nome é em homenagem à nossa amiga imaginária Marildinha, uma personagem fictícia criada pela mamãe aqui que me ajuda quando Mabi não quer comer, não quer ir dormir, etc.

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A perinha simpática é um dos posters clássicos do estilo escandinavo de decoração. Lá para as bandas de lá, é muito comum encontrar o poster da pera no quarto dos pequenos, e sua fama tem a ver com uma canção infantil suéca. Apesar de não termos em nossa cultura nenhuma pera amiga das crianças, resolvi fazer minha versão dela mesmo assim, porque eu acho esse poster a coisa mais fofa do mundo. E assim surgiu o Poster Diva, a Pera.
tcharam!

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O nome Diva é em homenagem à minha avó, um grande amor e uma grande amizade que tive na vida.

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O primeiro poster da história da ALF&mabi é este aí, o Poster Cavalos Vintage. Fiz pro quarto do Alfonsinho, e gostei tanto que resolvi criar algo parecido para a Mabi….

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O quarto da Mabi não tem um tema definido, mas eu adoro ursinhos. Então pra ela criei o Poster Ursinho Fashionista, que é esse da foto. São os ursinhos mais fofos que já vi na vida! Os dizeres estão em espanhol, tanto no poster dela como no do Alfonsinho, para honrarmos as raízes espanholas do papai. (Detalhe: o bonitão do papai não prestou atenção no texto quando eu pedi para ele revisar antes de ir para a gráfica, e a palavra “edicción” veio escrita errada – o correto é com apenas um c. Ai, papi…)

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Este poster da foto não é meu, mas quando o vi achei tão fofo que resolvi criar algo parecido. Na minha versão do Poster Super Bebê Feminino, acrescentei o nome da criança abaixo, pra ficar personalizado!

 

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Achei uma graça este poster para quarto de menina, mas também fica ótimo em quarto de menino, lógico. Então fiz uma versão do Poster SuperBebê Masculino, em vários tons diferentes.

poster-caminhoesO Poster Caminhões Vintage eu fiz sob encomenda para uma cliente, e adorei o resultado. Ele é bem neutro e pode ficar no quarto da criança por anos – diferente dos quadrinhos de bebê que depois do primeiro ano já ficam excessivamente infantis na decoração e você acaba querendo trocar.

Slow Parenting: criando filhos quase como antigamente

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Ter trabalhado na Revista Pais e Filhos me proporcionou um conhecimento sobre o universo infantil que provavelmente eu não teria de outra forma. Já entrevistei muita gente bacana e entendida: pediatras, psicólogas, psicanalistas, ginecologistas, enfermeiras, doulas, especialistas infantis de todas as áreas e mães, mães, mães, muitas mães. Aprendi muita coisa legal e que sem esse conhecimento talvez eu não seria a mãe que sou (não a melhor do mundo, mas também não a pior, hehe) pra Mabi e Alfonsinho. Mas acho que nunca uma matéria escrita por mim durante minha longa e feliz carreirinha jornalística fez tanto sentido como a que fiz recentemente para a revista sobre Slow Parenting.

Para quem nunca ouviu falar, Slow Parenting é um movimento que prega um modo de criar filhos mais relaxado. Sem tanta ansiedade por criar filhos perfeitos e sem essa neura de “desenvolver todos os potenciais” das crianças a qualquer custo. Sem tantos compromissos, com mais tempo livre, mais tempo em família, mais tempo de qualidade. Já me identificava com  filosofia e depois de estudá-la mais a fundo por conta da matéria, passei a refletir bastante sobre como estamos criando nossas crianças hoje em dia.

Para fazer a matéria entrevistei Carl Honoré, um dos precursores do Slow Parenting, que antes de responder às minhas perguntas pediu gentilmente que eu lesse o arquivo de entrevistas que ele já tinha feito a meios de comunicação. Quase caí pra trás quando baixei o tal arquivo e constatei que estávamos falando de mais de 180 entrevistas. Levei duas semanas pra ler aquilo tudo, mas li. E aprendi um monte. Conversei também com um pediatra antroposófico muito bacana, com uma especialista em infância e juventude pela Unesco e com o Paulo Tatit, da dupla Palavra Cantada, de quem sou muito fã. E falei com várias mães.

Escrever essa matéria deu um trabalho do cããããão, mas serviu para me orientar a respeito de como quero criar meus filhos. Não posso adiantar o texto da matéria, óbvio, (será publicado na edição de fevereiro da revista!), mas queria dividir com vocês, queridas leitoras, o que aprendi com meus entrevistados e que fizeram tanto sentido pra mim.

Que criança precisa de afeto, cuidados e tempo para brincar

E proporcionar isso a seu filho é muito mais importante do que ficar pensando nos potenciais que você pode desenvolver nele ainda bebê para garantir que no futuro ele esteja bem qualificado para o mercado de trabalho. Parece doideira, né? Mas já vi escola em SP que para justificar a fortuna que cobra diz até que as crianças desde cedo tem de se familiarizar com números e questões simples para um bom entendimento do universo financeiro. Oi? Sem contar o básico: aulas de inglês para bebês. Só eu sou contra isso? 

Que brinquedos tecnológicos não são tão legais quanto parecem ser

O pediatra antroposófico com quem conversei me contou que um dia recebeu em seu consultório uma mãe com uma bebê de 4 meses. Sentou-se diante dele – a bebê quietinha -, tirou o celular da bolsa e colocou para ela um aplicativo que a cada vez que ela encostava o dedinho na tela, várias borboletas saltavam e o aparelho tocava musiquinha. Como se já não bastassem todos os estímulos que o ambiente proporcionava à criança: o espaço, a voz e a aparência do médico, que para ela era algo novo, os cheiros, os ruídos, etc. Segundo ele, esse estímulo precoce e exagerado só estressa o bebê – e neste caso não permite que ele preste atenção no que está a seu redor. O médico também usou um termo que eu achei muito interessante para definir os brinquedos tecnológicos de hoje em dia, que cantam, dançam, tocam musiquinha e mais o diabo: são brinquedos de consumo. Ou seja, a brincadeira vem pronta pra criança. Ela só precisa apertar um botão – e consumir aquilo que o aparato lhe oferece. Diferente de um brinquedo simples, como os de antigamente, que de tão simples obrigam a criança a usar a imaginação. Então com criatividade, o cavalinho de madeira (que não toca música, não faz barulho de cavalo e nem colorido tem) se torna um lindo cavalo branco, enorme e valente, que cavalga velozmente, voa, fala, salva a vida da princesa…

Que a tal da “motivação” tem limite

Tenho uma natureza muito observadora. E aí vou no parque com meus filhos e quase tenho um siricotico toda vez quando vejo aqueles pais e mães super mega empenhados que não-deixam-o-filho-em-paz. “Aííííííí fiiilhooooo! Subiu no balanço! É isso aí!”. Um minuto depois: “Uauuuuu, filho! Olha como você escorrega rápido! Muito bem, o papai está orgulhoso de você”. “Olha, filhooooo, a amiguinha está do seu lado. Brinque com ela! Mostre como faz o cavalinho”. Bom, o repertório não tem fim, mas vamos parar por aqui, né? Olha, vou te dizer, que PREGUIÇA que me dá. Será que isso é uma coisa de hoje ou antigamente os pais eram malas desse jeito? Pessoal, vamos deixar as crianças brincando sem tanta interferência? Ok, você só quer ajudar, motivar, auxiliar, amparar e vários outros “ar”, mas… menos. Talvez eu seja muito radical, mas no parquinho com meus filhos eu adoto o estilo guarda-costas de ser. Fico em um canto, meio longe, de braços cruzados e só olhando. Só interfiro em casos de urgência. O Alfonsinho precisa de resgate com frequência, principalmente quando encana de pegar o brinquedinho do amigo e dar na cabeça do outro coleguinha (kkkkk) ou quer escalar o escorrega de traz pra frente. Mas Mabi não precisa de mim para se divertir no parquinho – e é assim que quero que Alfonsinho seja também. Bastam dez minutos para ela começar a interagir com algum amiguinho do lado, e quando vejo ela já formou uma turminha.

Que criança tem seu tempo e seu ritmo

Todos os entrevistados com quem eu conversei falaram isso. Vivemos numa época que a vida de todo mundo é corrida. E aí passamos pra criança essa ansiedade de correr contra o tempo. Mas o ritmo dos pequenos é outro. Eles demoram um século pra comer… pra escovar os dentes… pra se vestir… pra formar uma frase. E a gente tem que respeitar, oras. O Paulo Tatit falou uma coisa que eu achei muito bacana. A gente vive apressando a criança pra tudo: “Entra rápido no carro, tô com pressa!”. “Come logo a comida, a gente tem que sair”. Aí a criança começa a ficar irritadiça, ansiosa, chiliquenta… e a gente reclama. É ou não é? Sem perceber, eu sempre coloquei muita pilha na Mabi e no Alfonsinho para que entrassem no meu ritmo. Agora tenho me policiado para entrar no ritmo deles. A gente caminha mais devagar na rua… come mais devagar no almoço… demora mais pra fazer tudo…rs. Mas o estresse é bem menor.

Que criança precisa correr riscos

Com bom senso e tendo consciência dos diferentes níveis de perigo – os pais têm de permitir que os filhos corram riscos. Para um bebê que está aprendendo a andar, correr risco significa, por exemplo, sair andando em disparada como se não houvesse amanhã e levar um belo de um tombo. Tudo bem, ele certamente aprendeu algo depois dessa queda. Para uma criança maior, significa talvez tentar subir no escorrega de trás pra frente e cair com tudo no chão. Será que ele vai fazer de novo? Bem, o Alfonsinho faz, mas eu estou confiante de que um dia ele vai aprender. rs. Uma criança ainda mais velha pode significar ir sozinha na padaria da esquina comprar um picolé. E assim por diante. A gente aprende errando. A gente sente orgulho quando superamos um desafio. E a gente se torna mais independente quando conseguimos fazer algo por nossa conta. Os pais têm de permitir que os filhos corram riscos para se tornarem independentes – e saber dosar o quanto pode soltar da cordinha.

Que ficar sem fazer nada é bom

Ficar de preguiça, sem nada programado, é bom e necessário . Assim disseram meus especialistas entrevistados. O fazer nada desafia a imaginação da criança: já quem não tem nada pra fazer, a saída é “inventar” algo. Essa brincadeira livre, inventada, que se usa a criatividade ao máximo, é a melhor de todas as atividades.

Sem excessos: menos é mais.

Encontrar o equilíbrio é a grande chave dessa história. Deixar excessos e exageros de lado, ponderar o que funciona para sua família e criar filhos de maneira consciente, tranquila, sem neura. Dar mais importância à qualidade (dos momentos, das experiências, das relações) do que à quantidade. Uma refeição em família, um passeio no parque, uma tarde em casa todos juntos: valorizar as pequenas grandes coisas da vida. E saber que importante mesmo é amar, ser amado e saber ser feliz. Mas essa última frase nenhum entrevistado disse, é de minha própria autoria, rs. ;)

Beijo!
Sofia

Os segredos de Glória: mãe de 3 morando longe conta tudo

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Adoro conhecer a rotina e o modo de vida de outras famílias – principalmente aquelas que eu acho que podem ensinar algo diferente que possa ser colocado em prática aqui em casa. A Glória, minha cunhada espanhola, é casada com o Alfonso (opa, qualquer semelhança com meu Alfonsinho não é mera coincidência. Ambos os nomes homenageiam o Alfonso chefão, meu sogro querido) e tem três filhos: Gabriela, de 6 anos, Nico, de 5, e Cláudia, de 2. Eles moram em Brisbane, na Austrália, sem família por perto e, como a maior parte das famílias australianas, não tem babá ou empregada doméstica.

A Glo é daquelas mães (lindona, magra, fashion, engraçada, cheia de amigas e com filhos educados) que quando você a conhece, dá vontade de sentá-la num sofá, pegar um caderninho e obrigá-la a contar tudo. Bem, foi mais ou menos o que eu fiz. Hihi. Só não peguei um caderninho porque a distância nos exigiu uma entrevista por e-mail.

Aqui está, senhoras e senhores! Os segredos de Glo:

Família de Glória

Rotina: o segredo para tudo funcionar bem

Uma casa com três crianças pequenas é uma loucura. Para mim, ter uma rotina é o único segredo para que a casa funcione. Às vezes eu posso até parecer um sargento, mas acho que as crianças se comportam bem melhor quando elas sabem o que têm de fazer em cada momento. Para eles acaba sendo mais fácil – e não ficam frustrados se, por exemplo, sabem que quando o programa de TV favorito deles termina é hora de subir e tomar banho.

Crianças ajudam desde pequenas

Por estarmos sozinhos em um país diferente e sem ajuda em casa, meus filhos cresceram aprendendo a ajudar, na medida do possível. Desde pequenos comem sozinhos e agora já tomam banho e se vestem sem ajuda. Eles são responsáveis por guardar suas coisas e quando sujam algo, tentam limpar sem ajuda também. Depois do banho, os mais velhos tem o dever de levar a roupa suja à lavanderia, e a pequeninha tem a responsabilidade de jogar a fraldinha no lixo. Como com qualquer criança, tudo é mais fácil quando você converte essa ajuda em uma brincadeira ou um jogo, e não numa obrigação. Eles adoram e se divertem.

Zona de “artcrafts”

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Meus filhos mais velhos têm um espaço deles na varanda de “artcrafts” (trabalhos manuais). É uma mesa com duas cadeiras, uma lousa com giz e 4 caixas onde guardamos diferentes materiais: rolos de papel, bolas de isopor, plumas coloridas, palitos de sorvete, purpurina, cola, durex, tesoura, pompons, lápis, canetinha, borracha… E papéis de todos os tamanhos, texturas e cores. No fim, essa é a atividade que eles mais gostam de fazer – e é o que eu mais gosto que eles façam. Desenvolve a criatividade a imaginação deles (e o melhor é que quando eles estão aí, não os escuto por horas!).

Mantendo a casa em ordem

O truque para que a casa esteja organizada em meio ao caos das crianças é que tudo tenha seu lugar. Não suporto casas tomadas com brinquedos em todas as partes. As zonas dos adultos, como cozinha, sala de jantar e de TV, são “toys free zone”. Ou seja: se as crianças querem brincar aí, podem, desde que guardem depois os brinquedos em seus quartos – que é onde ficam todos os brinquedos. Outra de minhas regras de ouro é: se alguém está brincando com um brinquedo e quer trocar por outro, não pode pegar nada até que o primeiro esteja no seu lugar. Dessa forma eu evito que todos os brinquedos estejam pelo meio do caminho, porque meus filhos a cada 5 minutos se cansam do que estão fazendo.

Filhos brincando

Mantendo a casa limpa

Vivo em um país onde não é comum ter serviço doméstico. Temos uma pessoa que vem uma vez por semana por cinco horas, para passar roupa e limpar mais profundamente banheiro, cozinha e casa. Mas faço a manutenção da limpeza da casa diariamente, então quando ela chega para limpar, a casa nunca está muito suja.
Sempre tenho uma vassoura e um mini aspirador por perto. Tenho toalhinhas descartáveis multiuso por toda a casa, e as uso para limpar superfícies e deixar tudo com cheirinho de limpo. Odeio panos que acabam cheirando a úmido e mais sujam o chão do que limpam. Também uso muito as toalhinhas descartáveis no banheiro: todos os dias, depois que as crianças se trocam, escovam os dentes e lavam o rosto, passo as toalhinhas por todo o banheiro para fazer uma limpeza superficial. Com isso, a casa está sempre em ordem e as cinco horas semanais da funcionária acabam dando de sobra.

Cozinha prática e o menu da semana

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Gosto de cozinhar e me dou bem com a cozinha. O que faço é planificar o menu da semana. No domingo tiro 10 minutos para fazer um quadro com o que vamos comer durante a semana: peixe, carne, carboidratos e muita verdura. Assim temos uma dieta equilibrada e me facilita a vida na hora de fazer as compras. Toda segunda-feira de manhã vou ao supermercado e já compro tudo o que vou precisar para as refeições da semana. Assim não tenho que ficar indo toda hora ao mercado – só pra comprar coisas pontuais que vão terminando. Também me organizo em função da dificuldade do prato: se é uma receita que vou precisar de mais de uma hora de preparo, tento deixa-la meio pronta antes, assim enquanto as crianças tomam banho eu só preciso dar uma esquentada na comida.

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Um dia comum na casa de Glo

  • Manhã: Às 7h nos levantamos, tomamos café da manhã todos juntos e quando terminamos, subimos para nos vestir e meu marido sai para trabalhar. Enquanto Gabi e Nico, os dois maiores, se vestem sozinhos, eu vou arrumando as camas e organizando a bagunça. Depois, penteio todo mundo e visto Claudia, a pequena. Só depois que estiverem todos arrumados é que eles podem descer para assistir à TV, e nesse tempo eu arrumo minha cama, passo as toalhinhas descartáveis nos banheiros, tomo banho e me visto. Desço, preparo as lancheiras das crianças e às 8h15 saímos de casa para levar as crianças à escola.
  • Tempo para mim: Até às 15h, quando Gabi sai da escola, aproveito meu tempo para fazer minhas coisas. Sou bastante vaidosa e gosto de aproveitar o tempo que tenho para me cuidar. Corro três vezes por semana, e uma vez por semana saio para andar de bicicleta com minhas amigas. Também faço séries de 10min de abdominais que baixei da internet. Com uma hora de exercícios por dia eu já me sinto bem.
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  • Tarde: Gabi é a primeira a chegar a casa, às 15h. Enquanto ela merenda, vou preparando o jantar e depois ela faz os deveres da escola. Às 16h30 saímos pra buscar os outros dois na escola e vamos todos ao parque, onde ficamos até às 18h.
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  • Hora do banhoAs crianças entram pela porta e vão direto para o banho – os três juntos. Eu dou banho em Cláudia enquanto os dois mais velhos tomam banho sozinhos, se enxugam e vestem seus pijamas sozinhos também.
  • Hora do jantar: enquanto esquento a comida e coloco a mesa, eles brincam juntos e podem ver o programa favorito deles pela TV. Isso funciona bem pra fazer com que o banho seja rápido: caso contrário, eles perdem o programa. Nessa hora Alfonso, meu marido, costuma chegar em casa e acaba sendo o momento de brincar com o papai, contar a ele como foi o dia, etc.
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  • Hora de dormir: Desde pequenos as crianças sabem que hora de dormir é hora de dormir. Às 19h30 levamos Cláudia pra escovar os dentes, rezamos e a colocamos no berço. Ela dorme sem soltar nem uma lágrima. Gabi está começando a ler, então antes de dormir costumamos ler com ela e com Nico, e às 20h os dois escovam os dentes, nós rezamos e eles vao dormir.
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  • Hora dos adultos: A partir das 20h começa o momento adulto aqui em casa. Alfonso e eu jantamos, lavamos a louça e ficamos juntos, normalmente assistindo à série de TV que estamos acompanhando. Também é quando eu aproveito pra fazer minhas unhas ou outras coisas que preciso, como escrever isso ;)

De mãe para mãe, com carinho

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Hoje eu recebi essa mensagem de uma leitora. Não é a primeira desse tipo, vira e mexe eu recebo e-mails ou comentários de mães grávidas do segundo querendo saber como vai ser a vida (que se com um já está bem doida, imagine com dois…) depois que mais um bebê nascer. Resolvi então responder à pergunta dela aqui no blog. Assim a gente já mata dois coelhos com uma caixa d’água só (como diria Magda, minha eterna musa).

Olá Sofia!
Acompanho seu blog e adorei as dicas de como montar um. Parace que vc leu meus pensamentos! rs.
Bom, se tudo ocorrer dentro dos conformes serei mãe tbm de segunda viagem, e estou tão, mas tão confusa com tudo! Choro todo santo dia. Grávida normalmente fica a flor da pele com tudo, né? Mas com um bebê de 1 ano e 8 meses parece que tudo aumenta. Medos, insegurança… Como vc passou por tudo isso, sem afetar a sanidade? rs. Me conta por favor.
Abraço, G.

Querida G. e queridas leitoras navegantes do mesmo barco,

Sempre temos a impressão que a grama do vizinho é mais verde que a nossa. Sempre achamos também que as outras mães do mundo são mais felizes, mais calmas, pacientes, amorosas e organizadas do que nós mesmas, principalmente quando as conhecemos via Instagram e blog, onde tudo é tão bonito e radiante…

Arrisco dizer que a vida de uma mãe simples mortal fora dos holofotes do Iphone e androids da vida é igual à de todas as outras: difícil, cansativa, com momentos de pirar na batatinha e momentos de pura alegria e contentamento, que se intercalam de maneira contínua e nem sempre igual – há dias em que a gente surta mais, há dias em que a gente curte mais. Em quase todos eles, você respira aliviada quando as crianças finalmente adormecem. E assim vamos levando. É assim com um filho, será assim com dois.

A verdade verdadeira é que quando a tropa aumenta, a bagunça é maior, mas não muito. Difícil mesmo é o baque do primeiro filho, que quebra com sua rotina, com o dia a dia da casa, muda a estrutura familiar, os programas do casal, etc. Quando o segundo filho nasce, você já está numa dinâmica de cuidar de uma criança, o que conta muito a favor da sua sanidade psicológica, rs. Claro que você terá de desenvolver outras habilidades, como balançar o carrinho com o pé para um dormir enquanto dá papinha para a outra (clássico), dar o peito para um com o outro pendurado no seu pescoço ou saber lidar com a sintonia de duas crianças berrando simultaneamente (algo sempre difícil pra mim até hoje, principalmente pela madrugada). Mas de uma maneira geral, você é capaz de dar conta.

Dará conta do recado muito mais facilmente se tiver ajuda, isso sem sombra de dúvidas. Com uma mãe ou sogra por perto, por exemplo, estou pra dizer até que você tira de letra. Se não tiver ajuda, vai na raça mesmo que no fim da tudo certo. Quando o Alfonsinho era recém-nascido, ficar sozinha com os dois pra mim era o apocalipse. Apesar de minha mãe ter sido muito presente, infelizmente fiquei sozinha com os dois mais vezes do que gostaria. E olha só, sobrevivemos. Passou.

Querida G., você não vai chorar pra sempre. Hoje dificultamos muito as coisas, pensamos demais nos problemas, nos preparamos demais para as situações. Lembre-se das mulheres de antigamente, que tinham um filho atrás do outro, faziam o serviço de casa, cozinhavam, costuravam e sabe lá Deus que mais. Elas conseguiam, oras. Por que raios nós não conseguiremos?

Será que era uma loucura para elas também? Acho que sim. Outro dia li uma frase no Instagram que era algo mais ou menos assim: “Ter filho é uma loucura. E se pra você não é, talvez esteja fazendo algo errado”. Quanto mais reflito sobre essa frase, mais percebo o quanto ela é verdadeira. Fazer a coisa direito dá um trabalho do cão. Tem dias que eu me sinto uma mera cuidadora de criancinhas. Poxa vida, eu sempre adorei minha profissão, sair pra trabalhar, trabalhar até tarde. De repente, ver que meu dia se resume a trocar fraldinha, dar papinha, apaziguar choros, fazer dormir, trocar fraldinha, dar mamá, apaziguar choros, fazer dormir. Afe, quanto desperdício de minha capacidade intelectual. Mas será que é por aí?

Depois, quando fico mais tranquila (leia-se: as crianças dormem) eu volto a pensar nisso. Aliás, é no que tenho pensado com frequência ultimamente. Minha conclusão tem sido que a maternidade é uma fase importante da vida. Criar filhos tem um valor incalculável, e nós deveríamos nos orgulhar de estar exercendo esse papel – que não vai durar pra sempre. Quando estou muito estressada com as crianças, fico pensando como eu estaria se estivesse passando o dia no emprego. No meio do alvoroço, imaginar uma paisagem sem filhos parece melhor do que qualquer coisa, claro, rs. Mas um emprego também tem suas dificuldades, cansaços, seus desafios, suas decepções, frustrações e seus estresses. Afinal concluo que ser mãe não é muito diferente de ter um emprego. E se num emprego nos esforçamos pra fazer bem, pra fazer melhor, por que não o faríamos também em casa com as crianças? Quando faço esse exercício mental, de alguma maneira passo a exercer minha função de mãe com mais tranquilidade.

Já comentei por aqui que adoro papear com gente mais velha. Principalmente as que são mães. Até hoje, não encontrei nenhuma que não tenha dito: “Ah essa fase passa tão rápido… Eu morro de saudade da bagunça que era minha vida quando meus filhos eram pequenos”. Por que será que elas sentem tanta saudade? Será porque a maternidade foi mais fácil pra elas? Duvido muito. Não sei qual é a resposta, mas talvez tenha a ver com o fato de que só depois de um tempo conseguimos perceber a beleza e a grandiosidade de algumas coisas. Talvez seja parecido ao fenômeno do esquecimento da dor em um parto normal: quando a gente está lá parindo, nada mais importa a não ser a dor que a gente está sentindo. E aí o bebê nasce, aquela emoção toma conta de você… e meses depois você já nem lembra que sentiu dor. Pensa no parto como uma aventura incrível e linda que fará parte de sua história para sempre.

Acho que quando Mabi e Alfonsinho estiverem crescidos, também não me lembrarei das “dores” dos primeiros anos de vida deles, da mesma forma como não me lembro das dores do parto de cada um, apenas da alegria que senti ao vê-los pela primeira vez. Quando eles crescerem, me lembrarei da bagunça boa, da farra, de como eles eram fofos e queridos. De como eu fui forte e dei o melhor de mim. Com direito a lágrimas, mau humor, ataques de fúria, bronca exagerada e muitos berros, isso é verdade. Mas que, por favor, o nosso “melhor” nunca seja subestimado. E que nada nem ninguém nesse mundo tire de nós o valor que temos, que tivemos e que sempre teremos.

Com carinho e um forte abraço,
Sofia

7 Conselhos para criar um blog de maternidade

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Queridas leitoras,

Eu tardo mas não falho, rs. E cá estou eu aqui novamente para compartilhar minhas filosofias com vocês! ♡

Esses dias recebi um e-mail da Samara, uma leitora das antigas, querendo conselhos sobre criar um blog de maternidade. Ela, assim como muitas das que estão lendo este post, tem filho pequeno, deixou de trabalhar, mas queria fazer algo útil – e de preferência que se tornasse um negócio rentável.

A Samara não foi a primeira a me pedir dicas sobre criar um blog de maternidade, então resolvi transformar a resposta ao email dela em um post. Espero que seja útil e que vocês gostem!

Com carinho,
Sofia

O começo de qualquer blog não é fácil

Os primeiros posts são tímidos e você provavelmente vai se sentir uma tonta em escrever pra você mesma. Mas lá pelo quinto post a coisa engrena, você vai ficando mais à vontade e o texto flui melhor. Leva um tempo até alcançar um bom número de visitantes, e um tempo maior ainda até que estes visitantes comecem a comentar. Lembre-se que uma parcela bem pequena dos leitores comentam. E o fato de não receber comentários não significa que você está falando com as paredes.

Constância, objetividade e criatividade

Um blog bom tem de ser atualizado semanalmente, no mínimo duas vezes. Um post gostoso de se ler é curto, e não uma bíblia. Se estiver em tópicos, melhor ainda. Um título bom é aquele que atrai o leitor logo de primeira. Então, seja criativo e um pouquinho sensacionalista. É assim que a linguagem de internet funciona. (Se você for meu leitor constante perceberá que eu não tenho colocado em prática os dois primeiros conselhos. Escrevo raramente no blog e, quando o faço, sai um texto gigante. Tudo bem, estou ciente disso.)

Fotos lindas, por favor

Um blog é feito de imagens, e não importa o post que você escreveu, ele precisa de uma foto maravilhosa. Não é fácil encontrar, eu às vezes perco mais tempo procurando foto do que escrevendo o texto.

Blog profissional ou amador?

É possível ter um blog bom, bem feito e bonito sem ter de pagar para uma agência de publicidade ou um programador? É sim. Mas você vai precisar de um mínimo de conhecimento para trabalhar com as ferramentas de personalização que as plataformas oferecem. A alternativa simples é escolher um modelo de layout pronto e não inventar moda. A alternativa complicada é fuçar em tutoriais online, aprender e fazer tudo sozinha, como eu fiz. A alternativa cara é contratar uma agência de publicidade. A alternativa mais barata é contratar uma empresa de confiança no site Elance.com, que por um preço muito acessível consegue te entregar um blog profissional do jeito que você quiser. (Essa é a dica mais quente do post, vejam bem).

Prepare-se para a exposição

Os blogs de mais sucesso são aqueles cujas autoras expõem grande parte de suas vidas e experiências, de seus costumes e hábitos. Quanto mais pessoal um blog, mais cativante ele será. Esse é o propósito de um blog – que a autora trate de seu universo particular, que seja um relato de suas experiências em determinado assunto. Isso torna o texto muito bacana, tanto para quem escreve como para quem lê. Mas é importante considerar também o fator exposição. Até que ponto você está disposta a expor seu cotidiano, suas histórias, suas fotos? No meu caso, não vejo problemas em compartilhar algumas experiências de minha vida de mãe. Vez ou outra coloca fotos de meus filhos e de minha família no Instagram. Mas é uma exposição bastante calculada – e um número de seguidores e visitantes bem humilde, vamos combinar, então tudo bem. No entanto, vejo mães que compartilham absolutamente tudo de suas vidas com os leitores e seguidores do blog e do Instagram. Eu particularmente adoro acompanhar as fotos e os relatos de algumas delas – mas não quero o mesmo para mim e para minha família. Então, pense o quanto você quer mostrar de seu universo particular antes de que seu blog se transforme em um fenômeno.

Desperte seu tino para negócios

Criei o blog com a intenção de fazer dele um negócio. Comecei aos poucos e até que vislumbrei um futuro promissor – mas como qualquer outro negócio, não sai do lugar se você não insistir, insistir e insistir. No meio dessa insistência toda, descobri que não sou boa vendedora. Não sei vender, não gosto, não dou pra coisa. Decidi então continuar com o blog por puro amor à causa, em respeito e agradecimento a minhas leitoras e aos emails e comentários carinhosos que recebo, mas sem fazer dele uma prioridade em minha vida. Não sei, portanto, como ficar rica com um blog. Eu mesma nunca fiquei, hehe. Mas acredito que, como qualquer outro negócio, o segredo está em acionar seu botãozinho de empresária vendedora e sair atrás de parceiros e fornecedores. Faça um midia kit, exponha o que de melhor seu blog tem e venda, venda, venda. Vai atrás, mande muitos emails por dia.

Aproveite o conhecimento compartilhado

A internet é uma coisa maravilhosa. Aproveite, então, tudo o que ela tem e aprenda com os vários tutoriais, post e artigos que estão disponíveis ao alcance de qualquer um. Faça uma busca no Google em inglês, por exemplo, de: “How to create a successful blog“. Você vai encontrar uma série de artigos e posts bacanas de gente com currículo respeitável.

Divisão de tarefas: até onde pode e deve ir a ajuda do marido

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Acho que eu sou uma pessoa meio morna. Geralmente não me enquadro em nenhum dos extremos das definições sociais, culturais, comportamentais e outras “ais” que existem. Na maioria delas, fico no meio do caminho. Por exemplo, não sou defensora do feminismo, mas tampouco apoio a dominação masculina proposta pelo machismo – embora feminismo e machismo não sejam conceitos opostos, como bem explica esse artigo da Carta Capital. Compactuo com algumas ideias aqui, outras ali… e acabo concluindo que não sou nem isso e nem aquilo, então continuo não sendo nada. O que por mim está ok. Não sendo louca, estamos no lucro.

Quando se trata de divisão de tarefas entre marido e mulher, no entanto, fico mais pro lado dos homens. Sorte a do meu marido, talvez, mas quanto mais o tempo passa, meus filhos crescem e meus anos de casada aumentam, mais eu sou a favor de respeitar as distinções existentes entre os dois sexos e aceitar que algumas coisas foram feitas para mulheres, outras para os homens. O que não significa que se o homem lavar a louça ou a mulher sustentar a casa a harmonia familiar corre sério perigo. Aqui em casa já passamos por um período em que quem ganhava dinheiro era eu, com meu trabalho, enquanto meu marido, que largou seu país pra ficar comigo, dava seus primeiros passos de empresário no Brasil. O tempo passou, os filhos nasceram, e os papéis se inverteram. Hoje quem trabalha é ele, e eu cuido das crianças e tento criar um negócio próprio no tempo que me sobra (a linda e maravilhosa ALF&mabi Posters Exclusivos)

Quem me convidou a falar sobre esse assunto foi uma leitora do blog, a Alessandra, depois de ler o post “Cinco conselhos de uma mãe de cinco“, em que minha cunhada Beatriz defende que o pai tem de ajudar, mas não fazer tudo. Para ela, esse é o papel da mãe. Quando Mabi nasceu, eu e Javi nos dividíamos entre praticamente todos os cuidados com ela. Foi um período de bastante discussão, na verdade. Eu sempre terminava achando que era capaz de fazer melhor que ele. Ele se magoava comigo, claro, afinal sua única intenção era ajudar. Com o Alfonsinho foi diferente. Eu era a “chefa” que fazia tudo, e ele me auxiliava quando precisava e o solicitava, nos momentos em que estava em casa, pois neste período ele já estava trabalhando fora e não esteve tão presente como foi nos primeiros meses de Mabi. E não é que deu mais certo?

Javi é um super pai. Desses que dá banho, troca fralda, dá papinha, passeia, faz dormir e o que mais for preciso. Não há nada de que ele não seja capaz, e confio plenamente em suas capacidades cuidadoras. A diferença entre nós, basicamente, é que eu estou no controle. Ele não sabe, por exemplo, qual será o almoço das crianças e nem que horas elas devem merendar, se tem laranja lima pra fazer o suquinho da manhã, se a fralda está acabando ou se o uniforme da escola está limpo para mais um dia de aula. Ele não leva e não busca na escola (quer dizer, às vezes me acompanha à pé e fazemos um passeio em família juntos, mas não tem essa obrigação), não lê os bilhetes da professora, não sabe quando será a próxima vacina e acho que nem o telefone da pediatra. Minha cabeça é uma maquininha de supermercado, que funciona sem parar, computando o que entra e o que sai de casa, o que eu preciso fazer, comprar, arrumar, buscar, levar, pegar, devolver, providenciar. Não é que seja difícil, mas cansa.

Essas funções são minhas e sempre serão, independente de eu estar trabalhando ou não. É justo? Não sei se compensa levar este questionamento a um campo tão filosófico assim. Aqui em casa é como fazemos e pronto. E não, eu não quero dividir essas tarefas com meu marido, obrigada. Não que ele não seja capaz, mas entendo como atribuições minhas. Outro dia eu brinquei com ele que na próxima vida eu quero nascer homem. Ele deu uma risada meio amarela, talvez levemente ofendido, porque era fim de semana e ele estava completamente disposto a me ajudar no que precisasse. Aí ele falou: “O que você quer que eu faça? Você manda, eu faço”. Eu respondi: “O que eu queria mesmo é parar de mandar uns dias.” Ok, estava de TPM, mal-humorada, um pouco insuportável. Mas é isso: estar no controle é uma função cansativa.

Pior do que ter que mandar é ficar sem ajuda, é ou não é? Então meu conselho é você aceitar que você é a mãe, e a mãe sempre faz mais pelo filho, e esse papo de igualdade é furado. Pois é, c’est la vie. Quanto antes aceitarmos isso, menos conflitos aparecerão. Dito isto, meu segundo conselho é estabelecer algumas funções para o pai – que não é porque ele é homem que vai ficar só no bem-bom. Quem pariu Mateus que o embale, já diria minha mãe.

Aqui elenco algumas atividades que podem muito bem ser atribuídas ao pai:

  • BANHO: aqui em casa quase todo dia quem dá banho é o Papi. Mamãe separa o pijama, tira roupa, deixa tudo esquematizado. Mas o papi fica lá, enquanto eu aproveito o tempo pra ir organizando o jantar.
  • BUSCAR NA ESCOLA: se os horários coincidem, acho ótimo.
  • LEVAR NO PARQUINHO PELAS MANHÃS: de sábado ou domingo, o Javi sai pra passear com as crianças e eu tenho uma manhã de folga. Embora eu fique com pena de estar perdendo um momento em família, é sempre bom ter umas horas só pra mim.  
  • REVEZAMENTO NA MADRUGADA: se o bebê acorda mais de uma vez pela madrugada, pense na possibilidade de cutucar o maridão pra te ajudar na empreitada. Ele vai ter que trabalhar com sono no dia seguinte? Pois é, ter filho é isso. Aqui em casa sempre fizemos assim: 65% das vezes vou eu, 35% vai o Javi. Agora não mais porque ele pega estrada todos os dias, então eu resolvi dar uma colher de chá pra ele. 
  • PREPARAR A MAMADEIRA: parece bobagem, mas é sempre uma ajuda bem-vinda. 
  • PREPARAR A BOLSA DE PASSEIO: outra besteirinha, mas se é pra colocar o pai pra trabalhar, oras, então vamos lá. Em casa o Javi é o fazedor das bolsas – sempre sob meu comando, claro. Enquanto eu troco as crianças, peço pra ele ir fazendo a bolsinha, e assim saímos mais rápido. Já aconteceu várias (várias mesmo) vezes de chegarmos a um lugar e não ter chupeta na bolsa, ou ele usar a mamadeira de suco pra colocar o leite. Mas nada muito grave. 
  • LEVAR PRA VER A LUA: fazia parte do nosso ritual da noite. Mabi e papi iam juntos ver a lua, dizer boa noite para as estrelas, antes de que eu a levasse pra cama. São coisas que a medida que os filhos crescem deixamos de fazer, mas esses momentos ficam pra sempre na lembrança dos pequenos.
  • CONTAR HISTÓRIA: o Javi não faz, mas meu pai fez comigo e com minhas irmãs por toda nossa infância. Apesar de trabalhar fora de casa o dia inteiro, sabíamos que à noite ele contaria um de seus “causos”. Adorávamos esse momento – e acho que minha mãe também, hihi.